Até logo, Roberto Curi

Até logo, Roberto Curi

Até logo, Roberto Curi

Pioneiro era o dono de uma das lojas mais antigas da cidade e morreu nesta terça-feira (23), vítima de complicações da Covid-19

A história de Brasília, neste 2021, terá em seu capítulo a triste partida de um dos pioneiros mais reconhecidos da capital. Roberto Curi, dono da loja Curinga Pneus, faleceu nesta terça-feira (23), vítima do Covid-19. Internado no Hospital DF Star há, aproximadamente, 15 dias, Curi teve uma parada cardíaca e não resistiu.

Roberto Curi veio para Brasília em 1962 e participou de marcos históricos como a primeira missa rezada na cidade, no dia 3 de maio de 1957, no Cruzeiro. Ele construiu seu império ao lado da esposa, Yara Curi, com inaugurações de lojas de pneus e automóveis em outros estados brasileiros.

Nascido em 7 de outubro de 1932, em São Paulo, teve infância modesta e ouviu falar de Brasília pela primeira vez numa passagem por Anápolis. “Foi quando chegaram os primeiros topógrafos para fazer o levantamento da área”, lembrava.

À época, Curi viu no mercado local um ótimo campo e decidiu mudar-se de vez em 1962. Deud início ao seu próprio negócio, a Curinga dos Pneus, em junho de 1967. A inauguração foi num prédio alugado na 503 Sul, propriedade de Euclides Aranha Neto, filho do conhecido diplomata Osvaldo Aranha.

“A vida naquela época era bem diferente do que é hoje. Não tinha tanta comunicação, as pessoas eram pouco informadas. Se via todo o movimento, a poeira, caminhões transitando para cima e para baixo. A velocidade era muito maior do que geralmente é em uma construção. E nós participávamos desse movimento, porque meu negócio era chegar, vender o máximo que pudesse, para voltar e entregar”, recordava.

O empresário era um admirador da trajetória do ex-presidente Juscelino Kubitschek, atribuindo a ele uma predestinação. “JK já veio com a missão especial de fazer o que fez. Brasília não é a capital do país. Brasília é o centro de desenvolvimento do país, é muito mais do que uma capital. O Brasil todo está crescendo às custas de Brasília. A indústria em São Paulo cresceu porque todo o Centro-Oeste cresceu muito e em consequência disso o resto também cresceu”, analisava.

Numa cidade tão jovem, em que as memórias muitas vezes são contadas pelos atores de sua construção, desperdir-se de Roberto Curi é dar adeus a detalhes talvez ainda não revelados. Agradecemos a contribuição de Curi pelo desenvolvimento da nossa amada Brasília e deixamos registrado aqui o nosso respeito e saudade.

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